Quem tem crianças em casa sabe que é comum ouvir menções a personagens típicos do imaginário infantil. Em uma determinada fase da vida, Papai Noel, Coelhinho da Páscoa, amigo imaginário e Fada dos Dentes são “companheiros” frequentes no dia a dia dos pequenos.

Mas afinal, como transformar esses personagens em uma ferramenta positiva para o desenvolvimento e para a educação dos filhos? É importante deixar que as crianças fantasiem livremente ou é melhor deixar claro desde cedo o que é ficção e o que é realidade?

Para esclarecer essas e outras dúvidas tão comum na educação dos filhos, preparamos um guia com as questões mais frequentes dos pais a respeito do assunto. Acompanhe!

Por que a fantasia é importante para o desenvolvimento infantil?

Estimular as crianças a acreditarem em personagens do imaginário infantil, como o Papai Noel, o Coelhinho da Páscoa, a Fada dos Dentes e o amigo invisível, é uma maneira bastante eficaz de estimular a criatividade dos pequenos.

Elaborar as características desses personagens, perguntando-se como são, onde vivem e o que fazem, por exemplo, coloca as crianças em contato com a sua imaginação, o que beneficia o seu desenvolvimento em diversos aspectos, como na estruturação do pensamento e da linguagem.

Além disso, é por meio desses personagens que a criança aprende a elaborar melhor seus sentimentos, principalmente aqueles tido como negativos, como frustração, inveja, medo ou raiva.

A presença desses personagens também ajuda os pequenos a lidarem com situações novas e acontecimentos inesperados, para os quais muitas vezes eles ainda não tem uma resposta adequada, como a chegada de um novo irmãozinho na família ou uma mudança de escola ou de casa.

Existe idade certa para desfazer a fantasia?

Não existe uma idade ideal para contar às crianças que esses personagens não são reais. Normalmente, por volta dos 7 anos, os pequenos começam a questionar a existência deles, já que é nessa fase que as crianças desenvolvem uma maturidade maior para lidar com o concreto.

No entanto, é importante que os pais não usem a idade como regra, já que cada criança forma sua personalidade e se desenvolve de maneira diferente. Também não é necessário que os adultos acabem com a fantasia dos pequenos.

O ideal é que isso ocorra naturalmente, já que a descoberta da verdade não costuma acontecer de uma hora para outra: aos poucos, as crianças vão desconfiando das manobras dos pais para esconder os presentes ou começam a notar que a figura do Papai Noel se assemelha bastante a alguém que elas já conhecem, como um parente ou amigo.

No entanto, se a criança continuar a acreditar nesses personagens após os 10 anos, é importante que os pais investiguem melhor por que isso acontece e se perguntem se o pequeno não sente falta de um outro espaço para expressar sua criatividade.

E se meu filho perguntar se o Papai Noel existe de verdade?

Caso isso aconteça com você, o ideal é não negar nem confirmar, já que muitas vezes a criança tem apenas uma leve desconfiança e não está preparada para romper com aquela fantasia de maneira definitiva.

Uma boa resposta é dizer que o Papai Noel “existe para quem acredita nele”. Você também pode devolver a pergunta para a criança, ajudando-a a estruturar sozinha o seu pensamento.

“Você acha que o Papai Noel existe? Como você imagina que seja?” são algumas das questões que os pais podem colocar para as crianças e, a partir daí, ter uma ideia mais clara do quanto esses personagens ainda estão presentes no seu imaginário.

Como agir com crianças que têm irmãos mais velhos, que já conhecem a verdade?

Nesse caso, é importante aproveitar um momento a sós para conversar com a criança mais velha e pedir que ela não estrague a fantasia do menor.

Normalmente, colocar a criança como uma “aliada” na educação dos filhos, que ajudará a manter o “segredo” e permitir que o irmão mais novo aproveite a fantasia é o suficiente para que ela se sinta importante com a confiança que lhe foi depositada e respeite o pedido dos pais.

O que fazer quando a criança insiste em “conviver” com um amigo imaginário?

A presença de um amigo imaginário costuma causar mais apreensão nos pais do que outros personagens comuns na imaginação das crianças.

Isso porque, ao contrário do Papai Noel e do Coelhinho da Páscoa, que só são lembrados em datas específicas, o amigo imaginário subitamente passa a fazer parte do dia a dia da criança.

Embora cause preocupações, a presença do amigo imaginário é bastante comum em uma determinada fase do desenvolvimento das crianças, que vai dos 3 aos 6 anos. Normalmente, como aconteceria com um bicho de pelúcia, uma fralda ou a chupeta, ele surge para trazer segurança, e não costuma estar relacionado a um problema emocional.

É importante, no entanto, que os pais fiquem atentos ao espaço que o amigo imaginário ocupa no dia a dia dos filhos e que papel desempenha nas situações vivenciadas por eles. Trata-se de alguém com quem os pequenos brincam, desabafam e projetam sentimentos ou atitudes que ainda não conseguem elaborar totalmente?

Nesses casos, o personagem pode ser encarado como uma ferramenta importante para o desenvolvimento infantil e a estruturação do pensamento. No entanto, o amigo imaginário não pode substituir a companhia de outras crianças nem afastar os pequenos das suas atividades diárias.

Em outras palavras, ter um amigo imaginário é saudável enquanto ajuda a criança a entender e elaborar seus sentimentos diante de situações novas.

No entanto, se o pequeno se isola ou passa a preferir a companhia dele a de crianças reais, é importante que os pais avaliem que lacunas essa presença está tentando suprir e se o amigo imaginário está servindo como defesa para um problema maior que ela não sabe como expressar.

Gostou de entender um pouco mais sobre como lidar com os personagens imaginários e transformá-los em uma experiência positiva no desenvolvimento e na educação dos filhos? Se você tem alguma dúvida sobre o assunto ou sugestão sobre como lidar com a questão, não se esqueça de nos escrever no campo de comentários!